O tempo para ele não serviu como a distância entre a causa e o efeito.
Cometeu um erro irreversível,desses que marcam a ferro e fogo,cheiram mal, grudam na memória da pele e da mente.
Todos os dias o remorso o roía até os ossos.
Lutava entre a amnésia e a lembrança.
O presente para ele era o futuro que sobrou do passado.Sem perspectivas, pois estas se encontravam esgotadas.
O passado se fundia com o presente deixando-o sem futuro.
Vivia no ontem, atado a um passado/presente.
Apegado ao passado, se sentia um prisioneiro que cai em uma areia movediça, afundando pouco a pouco e deixando em cima um futuro sem salva-guardas.
O presente é o passado vivido no ontem que gera acúmulo de experiências e o impulsionam à construção de um futuro.
E sua persona é um somatório do que você já foi, o que possibilita a construção de um futuro no presente em um espaço de tempo aberto.
Mas, não era o seu caso.
Pois, como me referi no começo seu erro era irreversível não o deixando caminhar.
Passara trinta anos fugindo, sobrevivendo a um presente, algemado ao passado e sem futuro.
Foi quando chegou a seguinte conclusão:
Para que o passado existisse ele precisava ser apagado.
Não podia voltar atrás e fazer um novo começo e nem recomeçar e fazer um novo fim.
Sua solução foi então apagar-se do presente e do futuro que sobrou do passado.
Mariza Raja.
segunda-feira, 24 de março de 2008
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2 comentários:
Marisa
Um texto com sua marca. Frases soltas que vão se encadeando e contam a história. Como sempre, seus textos e personagens são carregados de sentimento.
Parabéns
Fabio
Marisa,
Gostei demais!
parabéns!
bia
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