segunda-feira, 24 de março de 2008

ERRO IRREVERSÍVEL

O tempo para ele não serviu como a distância entre a causa e o efeito.

Cometeu um erro irreversível,desses que marcam a ferro e fogo,cheiram mal, grudam na memória da pele e da mente.

Todos os dias o remorso o roía até os ossos.

Lutava entre a amnésia e a lembrança.

O presente para ele era o futuro que sobrou do passado.Sem perspectivas, pois estas se encontravam esgotadas.

O passado se fundia com o presente deixando-o sem futuro.

Vivia no ontem, atado a um passado/presente.

Apegado ao passado, se sentia um prisioneiro que cai em uma areia movediça, afundando pouco a pouco e deixando em cima um futuro sem salva-guardas.

O presente é o passado vivido no ontem que gera acúmulo de experiências e o impulsionam à construção de um futuro.

E sua persona é um somatório do que você já foi, o que possibilita a construção de um futuro no presente em um espaço de tempo aberto.

Mas, não era o seu caso.

Pois, como me referi no começo seu erro era irreversível não o deixando caminhar.

Passara trinta anos fugindo, sobrevivendo a um presente, algemado ao passado e sem futuro.

Foi quando chegou a seguinte conclusão:

Para que o passado existisse ele precisava ser apagado.

Não podia voltar atrás e fazer um novo começo e nem recomeçar e fazer um novo fim.

Sua solução foi então apagar-se do presente e do futuro que sobrou do passado.


 

Mariza Raja.

sábado, 15 de março de 2008

O IMPULSO

Ela gostava de ficar sozinha, ter um tempo para dar um mergulho dentro de si.

Era quando tentava enfrentar seus medos, culpas, remoer os remorsos e passar a limpo seus sonhos.

Tinha por hábito separar alegrias e tristezas, ganhos e perdas.

Repassava-os mentalmente, depois colocava-os no papel como um balancete comercial.

Fazia seus ajustes sempre, erros e acertos,o que deixou de fazer, e o que precisava melhorar.

Almejava uma harmonia interna e externa com o marido, filhos , parentes, amigos e colegas de trabalho.

Procurava sempre o seu prumo, embora muitas vezes o perdesse, tomada por impulsos que a levavam a uma decisão precipitada.

Nestes momentos, empurrava-os para o item acerto de contas no seu balancete.

Já há algum tempo vinha sentindo a necessidade de se isolar. Foi quando surgiu a oportunidade com a viagem de negócios do seu marido.

Aproveitou então, deixou as crianças com a mãe e foi para Búzios passar o final de semana.

Chegou , deixou a bagagem no quarto da pousada e foi curtir o final da tarde caminhando na areia.

Cansada, sentou-se para curtir o adormecer do sol e não notou quando um homem jovem sentou-se ao seu lado e sorrindo a cumprimentou.

Respondeu,olhando-o bem dentro dos olhos encantada com o que viu e sentiu, um desejo intenso. por aquele desconhecido.

Acasalaram-se trêmulos de paixão tendo apenas o mar como testemunha.

Ao final ficou ainda deitada por um tempo e ele foi-se de mansinho como chegou.

No banheiro abriu o chuveiro, deixou a água escorrer pelo seu corpo lavando aquela sensação de arrependimento pelo seu impulso, e deixando

o prazer intenso do orgasmo que tivera com o estranho.

Enquanto se ensaboava lembrava de um velho provérbio chinês que diz:

“Existem três coisas na vida que não voltam atrás, a flecha lançada, a palavra pronunciada e a oportunidade perdida.”



Mariza Raja.